terça-feira, 14 de agosto de 2012

Vendedor de livros



  Eu e minhas reflexões.
  Estava andando como num dia qualquer, passando pela banca de livros que sempre passo todos os dias. Por curiosidade (e também porque o vendedor me cumprimentou de longe), resolvi parar para conversar com ele. Tal foi minha surpresa que já tinham se passado mais de 30 minutos e eu ainda estava envolto naquele diálogo.
  Vendedores de livros são realmente pessoas intrigantes. Possuem um conhecimento amplo e diversificado. Tamanha foi a alegria e surpresa de conseguir conversar qualquer coisa com esse vendedor, ele parecia saber de tudo um pouco e articulava tudo isso de modo a me envolver naquela conversa. O tempo foi passando e os temas mudando de uma hora a outra. Saí de lá com uma sensação estranha, um misto de gratidão por ter tido aquela conversa com um misto de surpresa. O pré conceito e a rotina nos fazem passar batido por muitas coisas, não que elas sejam de fato ruins, são importantes para nossa sobrevivência, mas experimentar o novo foi de mesmo modo interessante a mim. E num dia como o outro, uma conversa simplesmente me tirou do meu mundinho, para me colocar em outro por algum tempo.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Do medo a psicologia



  Há sempre mitos que rondam a figura do psicólogo. Por mais imbecil que pareça, parei para pensar muito sobre isso hoje. Detemos (sim, estou estudando para ser um psicólogo) um saber que na cabeça de muitos parece místico. Um saber sobre todas as questões ocultas do ser humano. Mas ao mesmo tempo que parecemos deter esse saber, nos tornamos uma figura também tenebrosa. Quem é aquele que sabe de mim o que eu mesmo não sei?
  Interessante pensar assim. Temos medo do desconhecido, isso todos nós sabemos. O desconhecido sempre cria altas expectativas, sempre nos deixa ansiosos e sempre nos dá aquele frio na barriga. Mas e quando esse desconhecido é você mesmo? Pior do que enfrentar algo que você desconhece, é você ter noção de que há alguém dentro de você que você mesmo desconhece. Isso assusta e assusta muito. E entendo que não seja fácil enfrentar essa idéia.
  Porém ao meu ver, é ainda mais difícil de aceitar a idéia de que eu desconheço parte de mim, a idéia de que alguém ou algo faz ações, toma decisões e tantas outras coisas e que, teoricamente, eu não tenho conhecimento. Isso me assusta muito mais, saber que não sou dono de parte de mim. Talvez seja um narcisismo em excesso, talvez um metodismo em excesso, sei apenas que quero me conhecer cada vez mais. Para que assim, eu os conheça cada vez mais...

terça-feira, 31 de julho de 2012

A cultura da força

O nome parece soar estranho e pelas poucas vezes venho comentar um pouco sobre algo das minhas origens orientais. Como todos sabem, sou metade chinês e metade japonês (em minhas descendências, claro que eu sou Brasileiro acima de tudo) e estamos em época de olimpíadas.

Bom, como vocês devem perceber a China é a primeira na classificação geral de medalhas. Não é a toa. A cultura oriental tem como ponto forte a força, perseverança e principalmente a disciplina. Campeões não nascem do dia para noite e nem nascem com um dom. A China é a prova de que os treinos são mais do que essenciais, são precisos. E não é um treino como Hobbie, é um trabalho de disciplina, esforço e dedicação. Na China, as crianças começam a ser treinadas aos 6 anos (até antes) junto a escola, sendo o esporte uma atividade obrigatória e pública, ou seja, patrocinada pelo governo. Os treinos são duros todos os dias, os treinadores ignoram as lágrimas de dor, cobram a perfeição em um nível absurdo, mas ali está o resultado. E vê-se que não é passando a mão na cabeça que nascem os campeões.

O Japão possui um vértice diferenciado. Anatomicamente e fisicamente em desvantagens em inúmeros esportes, como no Volley (já que as japonesas e os japoneses são baixinhos), vemos uma cultura que acredita na força de vontade e na persistência. A seleção japonesa de Volley é famosa por ser um time difícil de se superar e possui como principal lema "Não vamos deixar a bola tocar o chão". Mais do que isso, a seleção feminina do Japão é campeã mundial, não há jogadoras habilidosas ali, há simplesmente a força de vontade, a garra e o jogo em equipe que as leva a esse patamar.

Tudo isso para eu chegar no final. E o Brasil? Aos meus olhos, todos os atletas brasileiros que estão nas olimpíadas são campeões. Não há incentivo ao esporte aqui, como bem sabemos o futebol oprime todas as outras modalidades, não há patrocínio aqueles que não são campeões, é preciso treinar por conta própria pagando por isso. E por esse motivo, todos os que lá estão já são vencedores. Vencedores de um preconceito contra qualquer outra modalidade, vencedores por superarem aqueles que possuem em sua cultura uma valorização do esporte, vencedores por não desistirem e ali estarem. Por isso não engulo quando cobram absurdamente a perfeição de nossos atletas. Cada dia de treino é uma superação, cada dia de competição é um aprendizado e no lugar de criticar, devíamos aprender, olhar e incentivar. Para que a chama mínima de uma cultura que não os valoriza, não apague.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Alguém

Há tempos venho me achando estranho. Penso que estou indo na direção contrária de toda essa sociedade. Vejo que cada vez mais perdeu-se as relações humanas. O amor, é uma palavra rara que parece não existir e quando ela existe, simplesmente não é tão enfatizada.

Tenho saudades de uma relação quente, uma relação de pessoa com pessoa. Onde olhares dizem muito e abraços muito mais, não uma simples troca de interesses, mas uma devoção por um sentimento perdido. E cada vez mais me sinto perdido nesse mundo de relações frias, cada vez mais perco meu interesse pelas pessoas que se repetem a minha frente.

Mas pequenos atos mudam a sua rotina. Sentir-se importante, sentir-se rejeitado, coisas que te desestruturam de uma forma ou de outra. E independente de estar feliz ou triste, esses sentimentos fazem com que eu me lembre que posso senti-los, que sou humano e não simplesmente um ser que sempre está normal, sempre está estável.

Novamente me desestruturo e me abaixo, frente a essa onda, para procurar as minhas peças que os seus pés chutam para longe, mas que caço-as incessantemente, simplesmente para me reconstruir e voltar a andar na direção contrária.

domingo, 13 de maio de 2012

Alice


E onde está você, Alice?
Caiu num mundo de fantasias, num mundo fantástico onde tudo era possível. Viveu ali um conto de fadas, sonho de toda criança. Havia sim seus perigos, mas havia também o sonho que encantava os olhos. O mundo se dobrava a você, você se dobrava ao mundo e foi se perdendo ali, cada vez mais, caindo cada vez mais dentro da toca do coelho, perdendo-se da realidade.
O que você foi fazer lá, Alice? O que viu naquele mundo? Por que seguiu aquele coelho branco?
E lá se foi, atrás do apressado coelho, a garota ingenua. Conheceu a muitos, fez muito, riu muito, chorou muito, aventurou-se muito, mas está na hora de acordar minha criança.
Abra os olhos! Consegue ver o bosque em que adormeceu? Quem está a sua volta, lendo aquele livro?
Acorde Alice! Acorde Alice! ACORDE!
Essa não é a realidade, volte para mim Alice! Volte para a realidade...
Acordar para a realidade é difícil. Não estar mais naquele SEU mundo, não acreditar mais naquelas fantasias, tudo isso dói, confunde, tortura. Mas o que mais dói, é você se olhar no espelho e ver que você era Alice, que você mesmo se chamou para essa realidade que grita em seus ouvidos e o pior, sem saber que foi você quem se acordou do sonho...


Créditos da foto: Luiza Prado.
Há príncipes que possuem muita riqueza, outros que possuem muitos reinos, alguns milhares de vitórias, outros honras e normas. Há aqueles com cavalo, aqueles com carruagem, há aqueles com servos. E eu, posso viver sem isso tudo, falta-me apenas a princesa para buscar em um castelo distante, abandonando tudo que for preciso, para contemplar seu semblante e mesmo que distante, saber que lá, está seu sorriso...radiante. E tudo terá sentido, tudo terá valido...

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Aquecer-se no intenso inverno,
Parece-me uma tarefa heroica,
Careço do seu abraço terno,
Numa busca quase paranoica.
Fecho os olhos e abraço,
A boneca que tomou seu espaço,
Toma-me a sensação da porcelana fria,
Sem a textura que tua pele teria.
Cá, vivo a ilusão,
Tentando enganar as sensações,
Cegando o machucado coração,
Os olhos geram distorções.
Proteções que criei,
Para manter minha posição de Rei,
Que reina solitário,
Um amor sem destinatário...
Os traços tomam forma,
Sempre em letras rítmicas,
Que odeiam respeitar normas,
Não formam uma lírica.
Mas assim é o traço da vida,
Torto, sinuoso, uma caixa de surpresas,
Onde a alma encontra-se presa,
Junto a então eterna dúvida.
Nesse cenário nasce a poesia,
Cabe ao poeta com maestria,
Tornar os versos belos,
Fortalecer o elo,
Do ódio e do amor,
Da alegria e da dor,
Para se viver hora a hora,
Essa caixa de pandora.

Memória e reflexão

Qual a sua memória mais importante?

Uma pergunta singela com possibilidades infinitas de respostas, seria uma pergunta que adoraria fazer a qualquer um e deliciar-me com as inúmeras respostas. Algumas muito belas, contando casos de amor, outras, trágicas, contando sobre perdas. O que importa é como elas marcam a nossa vida, mais do que isso, como elas nos moldam.

Eu me vejo como um aglomerado de memórias: As boas me relembram que a vida é bela, me relembrar como é "ser humano", como é gostoso ganhar um abraço quando se está frio ou um sorriso quando se precisa; as más me relembram dos erros e me fazem desviar desses caminhos, não as desprezo, afinal elas não tem culpa de serem ruins, pelo contrário, as agradeço por me lembrarem de que sempre posso melhorar e seguir adiante.

Por que estou dizendo tudo isso em um texto que mais parece de auto-ajuda? Simples. É porque a sua memória ainda é forte em mim. Consigo destrinchar cada uma, consigo remontar os cenários, reviver as sensações e por mais delicioso que isso pareça, hoje está me consumindo. Me joga em um conflito entre um eu que sorriu ao seu lado e o eu que a fez chorar. Quem deles sou eu? Onde vou buscar essa resposta?

E por mais aglomerado de memórias que eu esteja, hoje, sinto um grande vazio no peito. Mas é também esse vazio que me mostra que há algo errado em mim mesmo, que há algo a ser preenchido e eu busco essa resposta, enquanto escuto o vento passar por esse buraco, sussurrando palavras de conforto ou simplesmente rangendo, gritos de agonia...
O louco saltou do precipício,
Jurando saber voar,
Mas queria apenas se libertar,
Do que o prende a esse hospício.
Rodeado de loucos com a mesma face,
Numa rotina mecânica e torta,
Pertencentes todos a mesma classe,
Uma classe sem vida, morta.
Ele era o Salvador,
Que não merece nenhum louvor,
Vai para o Paraíso,
Mas com o seu próprio juízo...