terça-feira, 31 de julho de 2012

A cultura da força

O nome parece soar estranho e pelas poucas vezes venho comentar um pouco sobre algo das minhas origens orientais. Como todos sabem, sou metade chinês e metade japonês (em minhas descendências, claro que eu sou Brasileiro acima de tudo) e estamos em época de olimpíadas.

Bom, como vocês devem perceber a China é a primeira na classificação geral de medalhas. Não é a toa. A cultura oriental tem como ponto forte a força, perseverança e principalmente a disciplina. Campeões não nascem do dia para noite e nem nascem com um dom. A China é a prova de que os treinos são mais do que essenciais, são precisos. E não é um treino como Hobbie, é um trabalho de disciplina, esforço e dedicação. Na China, as crianças começam a ser treinadas aos 6 anos (até antes) junto a escola, sendo o esporte uma atividade obrigatória e pública, ou seja, patrocinada pelo governo. Os treinos são duros todos os dias, os treinadores ignoram as lágrimas de dor, cobram a perfeição em um nível absurdo, mas ali está o resultado. E vê-se que não é passando a mão na cabeça que nascem os campeões.

O Japão possui um vértice diferenciado. Anatomicamente e fisicamente em desvantagens em inúmeros esportes, como no Volley (já que as japonesas e os japoneses são baixinhos), vemos uma cultura que acredita na força de vontade e na persistência. A seleção japonesa de Volley é famosa por ser um time difícil de se superar e possui como principal lema "Não vamos deixar a bola tocar o chão". Mais do que isso, a seleção feminina do Japão é campeã mundial, não há jogadoras habilidosas ali, há simplesmente a força de vontade, a garra e o jogo em equipe que as leva a esse patamar.

Tudo isso para eu chegar no final. E o Brasil? Aos meus olhos, todos os atletas brasileiros que estão nas olimpíadas são campeões. Não há incentivo ao esporte aqui, como bem sabemos o futebol oprime todas as outras modalidades, não há patrocínio aqueles que não são campeões, é preciso treinar por conta própria pagando por isso. E por esse motivo, todos os que lá estão já são vencedores. Vencedores de um preconceito contra qualquer outra modalidade, vencedores por superarem aqueles que possuem em sua cultura uma valorização do esporte, vencedores por não desistirem e ali estarem. Por isso não engulo quando cobram absurdamente a perfeição de nossos atletas. Cada dia de treino é uma superação, cada dia de competição é um aprendizado e no lugar de criticar, devíamos aprender, olhar e incentivar. Para que a chama mínima de uma cultura que não os valoriza, não apague.